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Os siris ou caranguejos
nadadores pertencem a família Portunidae e estão alocados em um grupo de
crustáceos chamado de Brachyura. Os braquiúros compreendem todos os caranguejos
"verdadeiros" que apresentam cinco pares de patas, sendo os dois
primeiros modificados para a manipulação do alimento (os quelípodos). Existem nove gêneros de siris no litoral brasileiro: Arenaeus,
Callinectes (os siris azuis), Coenophthalmus, Cronius,
Laleonectes, Ovalipes, Portunus, Scylla e o gênero exótico Charybdis,
compreendendo 21 espécies. Os Callinectes são representados por seis
espécies: C. bocourti A. Milne-Edwards, 1879; C. danae Smith,
1869; C. exasperatus (Gerstaecker, 1856); C. larvatus Ordway,
1863; C. ornatus Ordway, 1863 e C. sapidus Rathbun, 1895 e
possuem ampla distribuição, podendo ser encontrados em lagunas, manguezais,
estuários e na plataforma, em profundidades de até
Entretanto,
trabalhos realizados em áreas estuarinas, onde grupo é dominante entre os braquiúros,
observam uma segregação na distribuição dos Callinectes, com a espécie
mais abundante mudando ao longo do estuário. Alguns trabalhos têm
demonstrado que diversos fatores podem influenciar a distribuição das espécies
de Callinectes em um estuário, sendo a salinidade o principal
condicionante. Norse, em seu trabalho publicado em 1978, verificou que a
distribuição dos portunídeos nas áreas estuarinas reflete variações na
tolerância à baixa salinidade entre as espécies, uma vez que todas demonstraram-se
tolerantes às salinidades mais elevadas.
Carvalho em um trabalho realizado no litoral sul da Bahia em 2009 verificou
dois gradientes principais na distribuição dos Callinectes no estuário
do Rio Cachoeira: o primeiro influenciado pelas áreas de maior e menor
influência marinha e outro representando um gradiente transversal do estuário,
com algumas espécies ocorrendo exclusivamente ou predominantemente nas margens
e outras ocorrendo com maior abundância nas calhas ou em ambas as áreas. Em
relação ao primeiro gradiente, Callinectes ornatus apresentou uma nítida
preferência pela área mais externa do estuário, Callinectes larvatus foi
predominante na região externa e intermediária e Callinectes danae e Callinectes
exasperatus foram registrados ao longo de toda a área estuarina estudada.
Além dessa diferença na
distribuição das espécies ao longo do estuário, as espécies também apresentam
distribuições distintas em relação ao perfil transversal do mesmo (o segundo
gradiente citado). Esse comportamento pode ser observado por meio da diferença
na captura das espécies entre a calha e a margem estuarina. Callinectesdanae
foi a única espécie encontrada tanto na calha quanto na margem de todas as
áreas estudadas. Apesar de C. exasperatus ter também ocorrido em todas
as estações, ficou restrita às margens, principalmente nas áreas mais internas
próximas aos Manguezais, onde o sedimento apresentava os maiores teores de
matéria orgânica. Por esse motivo a espécie também é conhecida popularmente
como siri-de-mangue. Comportamento semelhante foi observado para a espécie C.
larvatus, que ocorreu predominantemente nas margens das áreas externas e
intermediárias. Embora C. ornatus tenha ocorrido tanto na calha
quanto na margem nas área mais externa, nas regiões intermediárias esta espécie
foi registrada apenas na calha, onde são registrados os maiores valores de
salinidade propiciada pela presença da cunha salina. Também abordando a
distribuição dos siris azuis nesse tipo de ecossistema, Buchanan & Stoner,
em 1988, sugeriram que o padrão de distribuição das espécies de Callinectes
pode ser resultado de complexas interações intra- e interespecíficas entre as
espécies congêneres.
Além
das diferenças entre as espécies quanto a sua distribuição espacial, os
indivíduos de cada espécie podem apresentar distribuições distintas em função
do seu estágio de desenvolvimento. Alguns trabalhos demonstraram que as fêmeas
de Callinectes migram para áreas mais externas do estuário durante a
desova. Esse comportamento pode causar diferenças na proporção sexual em
determinados períodos do ano. Tal disparidade na proporção sexual esperada de
1:1 é comum nos crustáceos e pode estar relacionada não só à migração, como
também a outros aspectos da estratégia reprodutiva da espécie, como o padrão de
dispersão, mortalidade e taxas de crescimento diferenciadas entre os sexos.
Além disso, as classes etárias também apresentam distribuições diferentes ao
longo da área estuarina, com os indivíduos juvenis apresentaram sendo
registrados principalmente em áreas mais internas do estuário e próximas à
margem.
Referências
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